Ir para o conteúdo principal
Viana do Castelo

“O nome importa”: reitor da UNIPVC aponta reconhecimento social como desafio da Universidade Politécnica

Carlos Rodrigues (foto) considera que a passagem a Universidade Politécnica reconhece uma realidade há muito consolidada e reforça a visibilidade da instituição e dos diplomas dos seus estudantes. Com 111 projectos em execução, mais de 52 milhões de euros de investimento associado e financiamento aprovado para construir três centros tecnológicos no Alto Minho, a UNIPVC quer agora consolidar o crescimento científico e aproximar ainda mais a investigação das empresas.

PAULO VILA

12 de Outubro 2026
Leitura grátis
“O nome importa”: reitor da UNIPVC aponta reconhecimento social como desafio da Universidade Politécnica

“O nome, efectivamente, importa”. Foi desta forma que Carlos Rodrigues, reitor da Universidade Politécnica de Viana do Castelo (UNIPVC), sublinhou a importância da mudança de designação da instituição, concretizada em Agosto, durante a apresentação dos resultados da actividade científica e tecnológica realizada esta segunda-feira, 12. Mas, nas declarações que fez, o responsável foi mais longe do que a simples valorização do novo estatuto: apontou a persistente diferença de reconhecimento social entre o ensino universitário e o politécnico e defendeu que o País demorou demasiado tempo a reconhecer a realidade das instituições.

“Portugal não fez esse caminho, não tomou essa opção. Em boa verdade, passados 20 anos, o Governo decidiu passar os institutos politécnicos para universidades porque era uma inevitabilidade. Porque nós já reuníamos todas as condições para sermos universidade. Não foi uma opção política, foi o reconhecimento de uma realidade”, afirmou.

Para Carlos Rodrigues, a alteração não se esgota, por isso, numa questão de nomenclatura. A mudança tem implicações na visibilidade internacional da instituição e na forma como os diplomas dos seus estudantes são percepcionados. O reitor não deixou, contudo, de reconhecer um obstáculo que ainda vai permanecendo: “O que é facto é que a sociedade continua a valorizar mais o ensino universitário do que o ensino politécnico”.

Como quer que seja, a UNIPVC procura consolidar a sua posição num contexto de rápidas mudanças, em que, como observou Carlos Rodrigues, o “mundo vive um período acelerado de alterações e a academia, também”. A afirmação não passa apenas pela formação, mas também pela investigação, inovação, transferência de conhecimento para a economia e pela internacionalização, tudo áreas em que, reconheceu, o trabalho da academia nem sempre é suficientemente conhecido.

Os resultados apresentados dão a dimensão do caminho percorrido. Em 2025, os investigadores da UNIPVC publicaram 561 artigos científicos, 197 dos quais em revistas com “elevado nível de impacto”. A instituição foi a segunda universidade politécnica portuguesa com maior produção científica naquele ano e figura entre as 2000 primeiras instituições de ensino superior do mundo no World University Rankings, da Times Higher Education. É também a primeira classificada entre as 18 universidades politécnicas portuguesas, de acordo com os dados apresentados.

Da investigação à economia: três centros tecnológicos com financiamento aprovado

O desafio que a Universidade coloca agora a si própria é fazer com que a produção científica tenha reflexos cada vez mais directos na economia e na capacidade de inovação das empresas. É com esse objectivo que a instituição inscreve no Alto Minho a construção de três Centros de Tecnologia e Inovação, para os quais foi aprovado um financiamento global de 13.522.252€.

Carlos Rodrigues fez questão de destacar a dimensão do trabalho necessário para chegar a esta fase. “Isto foi um percurso longo, de vários anos”, afirmou, apresentando o financiamento aprovado para a construção dos três edifícios como uma “feliz notícia”. A concretização destas infra-estruturas, que envolvem 63 entidades associadas, quase metade das quais empresas, permitirá reforçar a ligação entre o conhecimento produzido na UNIPVC e as necessidades concretas do tecido empresarial.

Os centros terão áreas de intervenção distintas. O CiTiN, a implantar nos Arcos de Valdevez, estará orientado para a indústria, a manufactura avançada e a transição digital; o Sustemare, em Viana do Castelo, para as energias e tecnologias oceânicas; e o 3AR, em Ponte de Lima, para a valorização e transferência de tecnologia no sector agroalimentar.

A ambição não se limita à construção dos edifícios. A instituição que em 2026 completou 40 anos pretende criar estruturas próprias, com pessoas dedicadas ao desenvolvimento tecnológico e à ligação às empresas, capazes de transformar conhecimento em soluções aplicáveis. O objectivo é que os centros contribuam para a competitividade da economia regional e para a criação de cerca de 110 postos de trabalho até 2032.

O portefólio tecnológico da UNIPVC integra já 31 tecnologias em diferentes fases de desenvolvimento. O desafio passa agora por lhes dar condições para avançarem, serem testadas e chegarem ao mercado. Num território fortemente marcado pela presença de pequenas e médias empresas, esta aproximação poderá permitir o acesso a competências de investigação e inovação que nem sempre estas conseguem desenvolver de forma autónoma.

A dimensão financeira da actividade em curso ajuda a perceber a escala desta estratégia. A UNIPVC tem 111 projectos nacionais e internacionais em execução, associados a um investimento global de 52.293.798€. Entre os financiamentos identificados estão 11.740.285 correspondentes a 19 projectos aprovados no âmbito do Norte 2030 e 25.686.418€ associados a 42 projectos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Nos últimos cinco anos, a instituição arrecadou 46.181.409€ através de projectos co-financiados.

Mais investigadores e doutoramentos para consolidar o crescimento

A capacidade de investigação assenta também na consolidação das estruturas científicas e na qualificação dos recursos humanos. A UNIPVC dispõe de dez unidades de investigação, cinco das quais classificadas com “muito bom” pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), nas quais estão integrados 135 investigadores com vínculo à instituição. O financiamento atribuído pela FCT para apoiar estas unidades, no período de 2025 a 2029, ronda 1,75 milhões de euros.

A Universidade vianense pretende aumentar em 75% o número de membros integrados nas suas unidades de investigação e alargar a oferta de formação avançada. Os dois primeiros doutoramentos próprios, nas áreas do Design para a Inovação Regional e das Ciências do Desporto, já estão em funcionamento e receberam 96 candidaturas para as 35 vagas.

A procura registada reforça, segundo os responsáveis, a “pertinência” desta aposta. Os programas deverão desenvolver-se preferencialmente em ambientes não académicos, aproximando os trabalhos de investigação das necessidades das empresas e da sociedade. A meta definida é chegar a quatro doutoramentos aprovados até ao final de 2026, estando também em preparação propostas nas áreas da Enfermagem e da Educação.

Na investigação, a instituição conta ainda com três cientistas entre os 2% de investigadores mais citados do mundo: Sérgio Lopes, Gaspar Rego e Leonel Nunes. Para Luís Paulo Rodrigues, pró-reitor para as áreas da Investigação, Desenvolvimento, Inovação e Tecnologia, os resultados alcançados traduzem um percurso de consolidação que deve agora prosseguir, com maior capacidade de transferência de conhecimento e reforço das parcerias empresariais.

A ambição foi, de resto, resumida pelo próprio numa frase que marca o horizonte traçado para a instituição: “Passo após passo transformamo-nos na melhor universidade do mundo”. Uma meta que, para além da afirmação académica, terá de ser medida pela capacidade da UNIPVC converter a investigação em inovação, qualificação e desenvolvimento para o território.

Hospital de Barcelos volta a ficar fora do Orçamento do Estado apesar das promessas do Go...
Região
Exclusivo

Hospital de Barcelos volta a ficar fora do Orçamento do Estado apesar das promessas do Governo

A proposta de Orçamento do Estado para 2027, conhecida na passada semana, volta a omitir qualquer referência à construção do Centro Hospitalar de Barcelos, apesar da ministra da Saúde (foto) ter garantido, em Janeiro, que o processo avançaria ainda este ano. É a segunda vez consecutiva que a referência ao investimento desaparece do documento orçamental, depois do Governo ter inscrito a obra no OE para 2025 e de Ana Paula Martins ter reafirmado publicamente o compromisso de a concretizar.

Política
Saúde
Caso G Protect: leitura do acórdão adiada para 28 de Outubro por atraso na deliberação...
Barcelos

Caso G Protect: leitura do acórdão adiada para 28 de Outubro por atraso na deliberação do colectivo

A leitura do acórdão do caso G Protect foi adiada de 9 para 28 de Outubro, devido à complexidade do processo e ao atraso na conclusão da deliberação do colectivo de juízes. Este adiamento faz com que o ex-vice-presidente da Câmara de Barcelos, Domingos Pereira, fique a conhecer, num intervalo de apenas 13 dias, as decisões de três processos em que o Ministério Público pediu a sua condenação.

Justiça
Crise política na Junta de Manhente ameaça provocar eleições intercalares...
Barcelos
Exclusivo

Crise política na Junta de Manhente ameaça provocar eleições intercalares

A ruptura política que há vários meses divide a Junta de Manhente entrou ontem, 7, numa fase decisiva, com a estrutura concelhia do PSD a assumir a impossibilidade de manter o actual executivo e a apontar para uma solução que ditará a sua queda e a convocação de eleições intercalares. A decisão surge depois de meses de confronto entre Roberto Bogas e os restantes elementos da Junta, mas também quatro dias após o SETE JORNAL ter noticiado que o presidente da autarquia recorreu a uma ligação clandestina à rede eléctrica para servir um parque da freguesia.

Política