E, no caso em apreço, os factos comprovam que foram necessários dois meses para o SETE JORNAL conseguir obter documentos de acesso livre e generalizado. Ainda assim, apenas seriam libertados após termos apresentado queixa contra Mário Constantino junto da Comissão de Acesso aos Documentos Administrativos (CADA). A Câmara “foi convidada a pronunciar-se (…), não tendo sido recebida resposta”, escreveu aquele organismo no parecer unanimemente favorável às pretensões do SETE JORNAL. E quando finalmente se decidiu a fornecer os elementos requeridos, apenas o fez quanto a uma parte, tendo sido necessário insistir pela entrega dos restantes.
E o que decidiu, então, dizer o presidente da Câmara de Barcelos? Que a “documentação foi partilhada de boa-fé e sem nada a esconder, em diferentes momentos, mediante solicitação do jornalista em causa [Paulo Vila] que, lamentavelmente, foi para além dos factos que ele próprio descreveu ao alegar existir uma resistência intencional por parte do Município na partilha da informação”.
Mas vai mais longe. Mário Constantino diz que “o Município de Barcelos lamenta profundamente que o jornalismo sério e fundamental para uma sociedade livre e democrática seja transformado numa obsessão justiceira com contornos que roçam a violação ética e deontológica”.
Ora, aqui chegados e atentas as circunstâncias, poder-se-ia apenas dizer que o “jornalismo sério e fundamental” defendido pelo presidente da Câmara de Barcelos é, à semelhança de tantos outros, aquele que não questiona, não se inquieta e, sobretudo, não interpreta os factos. Em suma, o que abdica do escrutínio público democrático para se transformar em meras caixas de ressonância dos poderes constituídos.
Sucede, porém, que em matéria de ética e deontologia Mário Constantino não tem lições para dar. São já muitas as notícias do SETE JORNAL que comprovam até onde o presidente da Câmara de Barcelos é capaz de ir no que respeita à obediência a normas comportamentais e valores morais por parte de alguns daqueles que o acompanham (ou acompanharam) no executivo municipal. Acaso lhe assistisse razão, com tais exemplos, faltar-lhe-á sempre autoridade moral e política para ajuizar o comportamento dos outros.