Há uma dor no luto de que quase não se fala. Não é apenas a ausência. Não é apenas o silêncio que fica na casa. Não é apenas a cadeira vazia à mesa. É o momento em que o Estado exige que confirmemos, por escrito, aquilo que o coração ainda se recusa a aceitar: a declaração de óbito.
A morte já aconteceu. Mas, diante daquele balcão, ela acontece outra vez. A burocracia não espera que a dor assente. Pede números de identificação, datas, horas, causas... Exige clareza quando tudo dentro de nós é confusão. Solicita objectividade
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