Há palavras que parecem proibidas quando uma criança está por perto. “Morreu” é uma delas. Preferimos dizer “foi dormir”, “foi para o céu”, “foi viajar”. Adocicamos a ausência, inventamos metáforas, escondemos o corpo – e acreditamos que estamos a proteger.
As crianças sentem antes de entender. Sentem o vazio na casa, o cheiro que desaparece, a rotina que se desmancha. E quando não lhes damos palavras para o que sentem, aprendem a calar-se. Aprendem que há dores que não se nomeiam, que o choro deve ser escondido,
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